Por que sonhamos? Entenda o que acontece com o cérebro durante o sono
Última atualização em 05/10/2026 às 15:27
Você já acordou depois de um sonho tão estranho que ficou tentando entender de onde aquela história tinha surgido? Talvez você tenha sonhado com alguém que não via há anos, visitado um lugar completamente desconhecido ou vivido uma situação que parecia não fazer nenhum sentido.
Os sonhos fazem parte da experiência humana e acompanham o sono de praticamente todas as pessoas. No entanto, apesar de toda a pesquisa científica realizada ao longo dos anos, ainda não existe uma resposta definitiva para uma das perguntas mais curiosas sobre o assunto: por que sonhamos?
Sabemos que os sonhos estão relacionados à atividade do cérebro durante o sono e que são especialmente frequentes e vívidos durante o chamado sono REM. Entretanto, sonhar não acontece exclusivamente nessa fase. Pesquisas mostram que experiências semelhantes a sonhos também podem ocorrer durante outras fases do sono. (NICHD)
Por isso, quanto mais os cientistas estudam o sono, mais interessante esse fenômeno se torna.
Vamos entender o que acontece no cérebro durante o sono, por que os sonhos parecem tão reais e por que muitas vezes esquecemos o que sonhamos.
O que acontece com o cérebro enquanto dormimos?
Quando fechamos os olhos e adormecemos, nosso cérebro não simplesmente “desliga”.
Na verdade, o sono é formado por diferentes estágios, que acontecem em ciclos durante a noite. De maneira geral, eles são divididos em fases do sono não REM e sono REM.
Durante o sono não REM, o organismo passa por diferentes níveis de profundidade. Em determinado momento, ocorre o sono profundo, período associado à restauração física do organismo.
Depois disso, o cérebro entra novamente em fases mais leves e, aproximadamente 90 minutos depois de adormecermos, ocorre o primeiro período de sono REM. Esses períodos tendem a ficar mais longos durante a segunda metade da noite. (NICHD)
É justamente durante o sono REM que os sonhos costumam ser mais intensos e vívidos.

Criação própria — Bora Fazer | por Shopluney, com auxílio de inteligência artificial
O que é o sono REM?
A sigla REM vem do inglês Rapid Eye Movement, que significa “movimento rápido dos olhos”.
Esse nome foi escolhido porque, durante essa fase, os olhos realizam movimentos rápidos enquanto permanecem fechados.
Além disso, o cérebro fica bastante ativo, a respiração pode ficar mais rápida e irregular e os músculos do corpo normalmente permanecem relaxados. (NICHD)
Essa combinação torna o sono REM especialmente interessante para os pesquisadores.
Outro detalhe curioso é que o organismo possui mecanismos que reduzem os movimentos dos músculos durante essa fase. Isso ajuda a evitar que a pessoa simplesmente reproduza fisicamente aquilo que está acontecendo em seu sonho. (NICHD)
Assim, mesmo que alguém esteja vivendo uma aventura incrível dentro do sonho, seu corpo normalmente permanece deitado na cama.
É verdade que só sonhamos durante o sono REM?
Não.
Essa é uma das ideias mais comuns quando falamos sobre sonhos, mas as pesquisas mostram que a realidade é mais complexa.
Embora os sonhos sejam geralmente mais vívidos durante o sono REM, também podem ocorrer durante o sono não REM. Estudos que analisaram a atividade cerebral durante diferentes fases do sono encontraram evidências de experiências semelhantes a sonhos também nesses períodos. (NCCIH)
Portanto, dizer que “sonhamos somente durante o REM” é uma simplificação.
Na realidade, o cérebro pode produzir experiências mentais durante diferentes momentos do sono, embora elas possam apresentar características distintas.
Por que os sonhos parecem tão reais?
Essa é outra característica fascinante.
Durante determinados sonhos, podemos enxergar pessoas, ouvir sons, sentir emoções e até experimentar sensações que parecem completamente reais.
Isso acontece porque o cérebro continua realizando uma série de atividades enquanto dormimos.
Durante o sono REM, algumas regiões cerebrais ficam bastante ativas, enquanto outras funcionam de maneira diferente do que acontece quando estamos acordados.
Como resultado, o cérebro pode construir uma experiência bastante convincente sem que estejamos interagindo diretamente com o mundo exterior.
Por isso, dentro de um sonho, podemos aceitar situações completamente impossíveis como se fossem normais.
Podemos conversar com alguém que já morreu, estar em um lugar que nunca visitamos ou até mesmo voar. Enquanto estamos sonhando, aquela experiência pode parecer perfeitamente verdadeira.
Somente depois de acordar percebemos que havia algo estranho.
Por que esquecemos nossos sonhos tão rapidamente?
Você já acordou lembrando perfeitamente de um sonho e, poucos minutos depois, percebeu que praticamente não lembrava mais de nada?
Isso é muito comum.
De acordo com informações do National Institute of Neurological Disorders and Stroke, as pessoas passam cerca de duas horas por noite sonhando, mas frequentemente não lembram da maior parte dos sonhos. (NINDS)
Uma das razões para isso está relacionada ao momento em que despertamos.
Quando acordamos durante ou logo depois de um sonho, existe uma chance maior de conseguirmos lembrar de alguns detalhes.
Entretanto, se continuamos dormindo e passamos para outra fase do sono, a lembrança pode desaparecer rapidamente.
Por isso, algumas pessoas acordam com a sensação de que tiveram um sonho muito importante, mas não conseguem reconstruir a história.

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O cérebro consegue guardar informações durante o sono?
Sim. O sono está relacionado a processos importantes de aprendizagem e memória.
O National Institute of Child Health and Human Development informa que o sono REM é considerado envolvido em processos relacionados ao armazenamento de memórias, aprendizagem e equilíbrio do humor. (NICHD)
Entretanto, isso não significa que tudo aquilo que sonhamos seja automaticamente transformado em uma memória permanente.
Na verdade, os pesquisadores ainda estudam exatamente como os sonhos e diferentes fases do sono participam desses processos.
Além disso, estudos indicam que o cérebro pode selecionar quais informações serão mantidas e quais serão esquecidas.
Uma pesquisa financiada pelo NIH, realizada em camundongos, encontrou evidências de mecanismos relacionados ao esquecimento durante o sono REM. Isso não significa que o mesmo mecanismo tenha sido comprovado da mesma maneira em seres humanos, mas ajuda os cientistas a investigar como o cérebro administra as memórias durante o sono. (National Institutes of Health (NIH))
Os sonhos têm algum significado?
Essa pergunta acompanha a humanidade há muito tempo.
Diversas culturas desenvolveram interpretações para os sonhos e tentaram relacioná-los a acontecimentos, emoções ou acontecimentos futuros.
Entretanto, do ponto de vista científico, não existe uma explicação única comprovada para o significado de cada sonho.
A pesquisa atual reconhece que os sonhos podem envolver emoções, lembranças, imagens e experiências mentais, mas a função exata de sonhar ainda não foi completamente esclarecida. (NICHD)
Portanto, não é possível afirmar cientificamente que determinado sonho possui sempre um significado universal.
Um sonho com água, por exemplo, não necessariamente representa a mesma coisa para todas as pessoas.
O conteúdo pode ser influenciado por experiências individuais, emoções e diversos outros fatores.
Por que temos pesadelos?
Os pesadelos são sonhos desagradáveis que podem provocar medo, ansiedade ou outras emoções intensas.
Eles também fazem parte da experiência do sono e podem acontecer ocasionalmente.
Segundo o National Institute of Neurological Disorders and Stroke, eventos do dia podem aparecer nos pensamentos durante o sono, e pessoas passando por estresse ou ansiedade apresentam maior probabilidade de ter sonhos assustadores. (NINDS)
Isso ajuda a explicar por que períodos emocionalmente difíceis podem ser acompanhados por sonhos mais intensos.
Entretanto, ter um pesadelo ocasional não significa necessariamente que exista algum problema.
Quando pesadelos são muito frequentes e começam a prejudicar o sono ou a rotina, conversar com um profissional de saúde pode ser importante.
Podemos sonhar com pessoas que conhecemos?
Sim.
Pessoas conhecidas podem aparecer nos sonhos, assim como lugares, situações e acontecimentos relacionados à nossa vida.
No entanto, isso não significa necessariamente que estivemos pensando conscientemente naquela pessoa pouco antes de dormir.
Os sonhos podem combinar diferentes elementos de experiências, memórias e emoções.
É justamente essa mistura que pode produzir situações completamente inesperadas.
Por exemplo, podemos sonhar que estamos conversando com uma pessoa conhecida em um lugar que nunca visitamos.
O cérebro consegue combinar elementos diferentes e criar uma experiência que não aconteceu daquela maneira na vida real.
Por que nossos sonhos podem ser tão estranhos?
Talvez essa seja uma das características mais divertidas dos sonhos.
Enquanto estamos acordados, utilizamos constantemente informações do ambiente para verificar se determinada situação faz sentido.
Durante um sonho, entretanto, essa relação com a realidade externa muda.
Como consequência, podemos aceitar acontecimentos absurdos sem questioná-los.
Podemos estar em uma escola e, poucos segundos depois, aparecer em uma praia. Podemos conversar com alguém e, de repente, perceber que estamos voando.
Tudo parece normal enquanto o sonho acontece.
Somente depois de acordar começamos a perceber as contradições.

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É possível controlar um sonho?
Algumas pessoas relatam experiências conhecidas como sonhos lúcidos.
Nesse tipo de experiência, a pessoa percebe que está sonhando enquanto o sonho ainda está acontecendo.
Em alguns casos, ela também relata conseguir influenciar determinados acontecimentos do sonho.
Entretanto, a capacidade de controlar sonhos varia bastante de pessoa para pessoa.
Não devemos confundir sonho lúcido com simplesmente lembrar do sonho. No sonho lúcido, a característica principal é a percepção de que aquilo que está acontecendo é um sonho.
Esse fenômeno continua sendo estudado pela ciência e está relacionado à complexa interação entre consciência e sono.
Os sonhos podem ajudar na criatividade?
Essa é outra possibilidade investigada pelos pesquisadores.
Um estudo divulgado pelo NIH encontrou evidências de que o período inicial do sono, conhecido como estágio N1, pode estar relacionado a processos de criatividade e resolução de problemas. (National Institutes of Health (NIH))
Esse estágio acontece justamente naquele momento em que estamos começando a adormecer.
Algumas pessoas podem experimentar imagens e pensamentos bastante diferentes nessa transição entre estar acordado e dormir.
Embora isso não signifique que todo sonho produza uma ideia criativa, as pesquisas mostram que a relação entre sono, pensamento e criatividade é um campo interessante de investigação.
Por que algumas pessoas lembram dos sonhos e outras não?
A capacidade de lembrar sonhos pode variar bastante.
Algumas pessoas acordam frequentemente lembrando de detalhes, enquanto outras têm a impressão de que nunca sonham.
Porém, não lembrar de um sonho não significa necessariamente que a pessoa não sonhou.
Como vimos anteriormente, o NINDS afirma que todos sonhamos e que podemos passar cerca de duas horas por noite sonhando, embora a maior parte dessas experiências não seja lembrada. (NINDS)
Além disso, acordar diretamente de uma experiência de sonho pode facilitar sua recordação.
Por isso, uma pessoa que desperta durante a noite pode se lembrar de vários sonhos diferentes.
Já quem dorme continuamente até a manhã pode acordar sem conseguir recuperar nenhuma lembrança clara.
Existe uma forma de lembrar melhor dos sonhos?
Uma estratégia simples é anotar aquilo que você lembra imediatamente depois de acordar.
Isso acontece porque os detalhes podem desaparecer rapidamente.
Você pode deixar um caderno ou o celular próximo à cama e registrar palavras-chave assim que acordar.
Por exemplo:
- Lugar;
- Pessoas;
- Cores;
- Sensações;
- Acontecimentos;
- Frases;
- Objetos.
Com o tempo, esse hábito pode facilitar a identificação de padrões naquilo que você costuma lembrar.
Ainda assim, é importante não transformar cada sonho em uma interpretação obrigatória. Registrar sonhos pode ser uma atividade interessante de observação pessoal, mas isso não significa que exista uma explicação científica universal para cada detalhe.
O que acontece quando dormimos pouco?
Embora os sonhos sejam fascinantes, o sono não serve apenas para sonhar.
Dormir adequadamente é importante para diferentes funções do organismo.
O NIH destaca que o sono está relacionado a processos como aprendizagem, memória e funcionamento cerebral. Além disso, a falta de sono pode prejudicar o desempenho e a capacidade de aprender. (NICHD)
Por isso, não devemos pensar no sono apenas como um período em que ficamos inconscientes.
Enquanto descansamos, o organismo continua realizando diversos processos importantes.
Se você gosta de descobrir curiosidades sobre o funcionamento do corpo, pode conferir também este artigo sobre curiosidades do corpo humano.
10 curiosidades rápidas sobre os sonhos
Depois de tudo isso, veja alguns fatos interessantes:
1. Todo mundo sonha
O NINDS afirma que todas as pessoas sonham, embora nem sempre se lembrem dessas experiências. (NINDS)
2. Sonhamos em diferentes fases do sono
Embora os sonhos sejam mais vívidos durante o REM, eles também podem acontecer durante fases não REM. (NCCIH)
3. O primeiro REM acontece depois de adormecermos
O primeiro período de sono REM geralmente aparece aproximadamente 90 minutos depois que adormecemos. (NICHD)
4. O REM fica mais longo durante a noite
Os períodos de REM tendem a aumentar à medida que a noite avança. (NICHD)
5. Nem todo sonho é colorido na memória
Algumas pessoas relatam lembrar de sonhos coloridos, enquanto outras podem lembrar apenas de imagens em preto e branco. (NINDS)
6. Podemos esquecer um sonho em poucos minutos
É possível acordar lembrando de uma experiência e perder grande parte dos detalhes pouco depois.
7. Pesadelos podem estar relacionados ao estresse
Situações de estresse e ansiedade podem estar associadas a sonhos assustadores. (NINDS)
8. O cérebro continua ativo durante o REM
Durante essa fase, a atividade cerebral aumenta e apresenta características diferentes das fases mais profundas do sono. (NICHD)
9. Os sonhos ainda são um mistério científico
Apesar dos avanços, os pesquisadores ainda não sabem exatamente por que sonhamos. (NICHD)
10. O sono também está relacionado à memória
Diferentes fases do sono participam de processos importantes relacionados à aprendizagem e à memória. (NICHD)
Afinal, por que sonhamos?
Essa pergunta ainda não possui uma resposta definitiva.
Os cientistas sabem que sonhar está associado à atividade cerebral durante o sono e que os sonhos são especialmente frequentes e vívidos durante o sono REM.
Além disso, pesquisas indicam possíveis relações entre sono, memória, emoções e aprendizagem.
Entretanto, nenhuma dessas descobertas permite afirmar que já sabemos exatamente qual é a função dos sonhos.
Existem diferentes hipóteses sendo estudadas, mas a ciência ainda continua investigando esse fenômeno. (NCBI)
E talvez seja justamente isso que torna os sonhos tão fascinantes.
Mesmo depois de décadas de pesquisas, ainda existem perguntas sem respostas completas sobre aquilo que acontece em nossa própria mente enquanto dormimos.
Conclusão
Os sonhos são uma das experiências mais curiosas do sono.
Enquanto nosso corpo descansa, o cérebro continua realizando diversas atividades. Durante o sono REM, a atividade cerebral aumenta e os sonhos costumam ser mais vívidos. Entretanto, sabemos atualmente que experiências semelhantes a sonhos também podem ocorrer durante outras fases do sono.
Além disso, os sonhos podem envolver memórias, emoções, imagens e situações completamente inesperadas.
Por outro lado, ainda não sabemos exatamente por que sonhamos. Existem várias hipóteses científicas, mas nenhuma explica completamente o fenômeno.
Portanto, da próxima vez que você acordar depois de um sonho estranho, lembre-se: seu cérebro passou várias horas trabalhando enquanto você dormia.
E talvez aquele sonho que você esqueceu poucos minutos depois de acordar seja apenas mais um pequeno mistério produzido pela sua própria mente.



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